Identidade e Leitura

Ainda sobre Bourdieu

Posted on: 05/04/2009

Na última reunião do grupo (31/03), começamos a discutir o texto “A Linguagem na escola: um olhar sob a perspectiva da economia das trocas lingüísticas”, de Maria Celeste Said S. Marques (2002), e também o texto de Rezende (1999) – “Pierre Bourdieu e o Estruturalismo”. Esse último é bem interessante – achei este parágrafo no finalzinho bem pertinente para discutir a noção de agência (saindo das simplificações sobre o reprodutivismo de Bourdieu):

 

É importante ainda frisar a importância que Bourdieu atribui à noção de estrutura, sobretudo no primeiro e no terceiro sentido que acabamos de referir, na resolução do fundamental problema da Sociologia: o da relação entre indivíduo e sociedade. Para Bourdieu, num dado campo de forças sociais (que é sempre estruturado e estruturante), as possibilidades de luta e êxito de cada agente estão dadas pela posição que ocupa em cada momento no espaço social estruturado, vale dizer, pelo capital total (material, simbólico e social) que detém e pela estrutura desse capital, mas também pelo “campo dos possíveis” que se lhe apresenta, de seu ponto de vista, a partir da posição em que se situa. A avaliação dessas condições, da qual depende a definição de estratégias e táticas de ação de cada ator dentro do campo, é feita pelo próprio agente – implicando sempre a possibilidade de erro de avaliação – e é ela que determina sua decisão de submeter-se ao estado de coisas ou de lutar, de tal modo que há uma intervenção de uma liberdade do agente individual ou de um grupo no processo de conservação ou de transformação do jogo de forças do campo social em que se situa e do próprio campo enquanto estrutura (estruturada). A própria conservação do estado de coisas num dado campo social é produto de uma dinâmica onde os sujeitos intervêm, e não resultado de pura inércia, pois resulta de uma ação (ou reação), pelo menos reiterativa do estado de coisas, efetuada pelos próprios atores que compõem o campo segundo a interpretação que fazem do seu “campo de possíveis” e segundo seus próprios interesses individuais e grupais. Assim, não há contradição entre a noção de estrutura como algo objetivamente existente e a noção da intervenção, até certo ponto, arbitrária do sujeito . A realidade social é estruturada e estruturante, sem que isso retire dos indivíduos ou dos grupos a possibilidade de arbítrio. Todo agente social é um sujeito estruturado externamente, (no sentido de que tem que contar com os limites e as possibilidades que lhe são dados pela posição efetiva que ocupa na estrutura objetiva do campo) e estruturado internamente (pela mediação do habitus), mas que é ele também, ou melhor, sua prática, estruturante do campo social e do habitus (Bourdieu, 1983, 1992; Bourdieu & St. Martin, 1982).

(Rezende, 1999, p.202-203)

 Regina (reeditando post em fim de domingo)

 

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2 Respostas to "Ainda sobre Bourdieu"

“A linguagem na escola: um olhar sob a perspectiva da economia das trocas lingüísticas” – Maria Celste Said S. Marques
O texto me parece bastante pertinente em relação a realidade que encontramos na escola. Quando a autora, ao falar de capital cultural e lingüístico dentro da comunicação pedagógica, menciona as bases desiguais em que essa comunicação está fundamentada, me veio imediatamete à cabeça a necessidade de discussão das bases da comunicação pedagógica na sala de aula de línguas estrangeiras que me parece ser muito mais complexa – será que temos/pretendemos uma “domesticação dos dominados?”(Weber) Quem domina quem – são muitos fatores e pessoas na jogada. O que é que vamos trabalhar? Como? Quem sofre uma “violência simbólica” – os professores de línguas estrangeiras, os alunos, o sistema de ensino – por fazer uma opção por esta ou aquela língua estrangeira, na sua variante x,y ou z?

Mariza, não entendi o que quer dizer essa “domesticação dos dominados”: os dominados podem ser “selvagens” (em oposição a “domesticados”)? Se vocÊs assistirem ao filme Entre murs (acho que é assim em francês) ou The Class em inglês, vão ver como um professor costuma ser assediado/harrassed por seus alunos hoje em dia…. Quem domina quem?

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  • Mariza: Refletindo um pouquinho ... Como vai a construção do conhecimento na escola pública estadual paranaense? Do texto das novas DCE do Paraná,
  • Dirceu José de Paula: Mariza, entendo. Deve estar muito ocupada. Bjs
  • Mariza: Amigos, observem que hoje, 18/05, 20h58, ainda não postei minhas reflexões sobre Taddei e texto da SEED. Vou fazer isto amanhã pela manhã, mas est

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